Revista de Economia e Sociologia Rural
http://www.resr.periodikos.com.br/article/doi/10.1590/1806-9479.2026.305811pt
Revista de Economia e Sociologia Rural
ARTIGO ORIGINAL

“Cooperativas na vitrine, empresas no lucro”: os bastidores da sociobioeconomia em comunidades amazônicas invisibilizadas

“Cooperatives in the spotlight, profit in the companies’ pockets”: behind the scenes of the sociobioeconomy in marginalized Amazonian communities

Matheus Gabriel Lopes Botelho; Joice Ferreira; Roberto Porro

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Resumo

Este estudo analisa criticamente os efeitos dos contratos de fornecimento de matéria-prima e acordos de repartição de benefícios pelo acesso ao conhecimento tradicional associado ao patrimônio genético, firmados entre empresas e cooperativas agroextrativistas da Amazônia, questionando sua eficácia na promoção da justiça socioambiental. Utilizando metodologia qualiquantitativa que integra questionários semiestruturados e análise textual, foram analisados dados coletados em entrevistas com 107 cooperados em dez comunidades rurais do estado do Pará. Os resultados indicam um cenário de falta de transparência contratual e fragilidades na governança cooperativa, com impactos diretos sobre as comunidades envolvidas. A maioria dos cooperados desconhece os termos dos acordos de repartição de benefícios e a legislação vigente (Lei n.º 13.123/2015), enquanto os benefícios percebidos são pontuais e limitados. A análise aponta que, longe de promover autonomia, a sociobioeconomia tem sido capturada por lógicas mercantis que reforçam a subordinação das comunidades. Assim, o artigo contribui para aprofundar os debates críticos sobre a bioeconomia na Amazônia ao revelar como dispositivos jurídicos e institucionais legitimam relações assimétricas sob os discursos de inclusão social e sustentabilidade.

Palavras-chave

agroextrativismo, conhecimento tradicional, repartição de benefícios, governança cooperativa, assimetrias de poder

Abstract

This study critically analyzed the effects of raw material supply contracts and benefit sharing agreements for access to traditional knowledge associated with genetic resources, signed between companies and agro-extractive cooperatives in the Amazon, questioning their effectiveness in promoting socio-environmental justice. Semistructured questionnaires and textual analysis were integrated using qualitative and quantitative methodologies. Data collected during interviews with 107 cooperative members from ten communities in the state of Pará, Brazil, were analyzed. Results indicated a lack of contractual transparency and weaknesses in cooperative governance, which directly affect the communities involved. Most cooperative members are unaware of the terms of the benefit sharing agreements and the current legislation (Law no. 13.123/2015), while the benefits are specific and limited. Our analysis suggested that, rather than promoting autonomy, the sociobioeconomy has been captured by the market logic that reinforces the subordination of communities. Thus, this study contributed to deepening critical debates on the bioeconomy in the Amazon by showing how legal and institutional mechanisms legitimize asymmetrical relations under the discourses of social inclusion and sustainability.

Keywords

agro-extractivism, traditional knowledge, benefit-sharing, cooperative governance, power asymmetries.

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Submetido em:
23/02/2026

Aceito em:
29/05/2026

Publicado em:
07/08/2026

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